quinta-feira, 27 de dezembro de 2007

[Geral] - feche o livro e vá ver TV


Bom, eu não gosto de hipocrisia, apesar de ser um hipócrita muitas vezes na vida. Já diriam Corey Taylor e Joey Jordison "I'm just a bastard, but at least I admit it". Uma das coisas mais claras da minha vida, da qual tenho certeza absoluta: o Brasil é o país da hipocrisia. Quanto a isso não me resta nenhuma dúvida. Logo, daqui parte as maiores, apesar de não ser exclusividade tupiniquim. Sempre que leio alguma, principalmente na minha fonte de diversão, também conhecida como Orkut, disparo mais asneiras pra cima de quem a fez, pra tornar o assunto uma bosta de vez. Eu acho isso divertido as vezes (e extremamente "nérdico"). Existem muitas delas, em praticamente qualquer assunto é motivo para surgir um hipócrita, mesmo que muitas vezes a maldita carapuça sirva em nós mesmos. Mas não importa. E uma das clássicas é a frase "desligue a TV e vá ler um livro".

Pelo que me lembro (erro, eu sei), vi essa frase pela primeira vez na MTV, ainda na época que era assistível, ou nem tanto assim. Era postada no meio dos programas legais, tipo 'Piores Clipes", pra dar uma lição de moral na juventude, público alvo do canal. Mas sempre foi patético. A começar pela própria: uma rede de TV que pede que a desliguem. É contraditório, mas o único interesse é dar uma de "canal intelectual". Assim como é com todos que falam essa frase estúpida! Um canal que nasceu como sendo um caminho musical para a indústria, se torna um lixo onde programas de encontros entre solteiros cheios de espinhas tomam conta? O que poderia se esperar disso? Hoje, pode-se avaliar facilmente como um dos piores canais da TV brasileira no geral, tanto tv aberta como canais por assinatura. Já parei para ver discussões na TV Senado, mas não paro um só segundo na MerdaTV. Bom, voltando a frase. Como alguém pode definir o que é bom para você mesmo, que não você mesmo?!? Pra começar, vamos esbugaçar a própria frase "desligue a TV e vá ler um livro". Oras, se você estiver assistindo um programa daqueles dos mais interessantes do Discovery Channel, você desligaria para ler um livro desses best-sellers brasileiros de hoje em dia? Do tipo Harry Potter ou a intelectual Bruna Surfistinha? É ridículo. Costuma-se criar esteriótipos e frases feitas de efeitos (uia!) para tentar mostrar, muitas vezes de maneira grosseira, que o errado é você, o certo é o resto do mundo.

São esse tipo de 'campanha publicitária' que se vê espalhada por todo lado hoje em dia. Todo mudo tenta colocar na sua cabeça o que você deve gostar, o que deve ser, o que deve seguir. Não siga, não goste, não seja! Ou siga, seja e goste. Desde que isso lhe interesse. Não faça da opinião da maioria a sua, a não ser que aquilo te interesse pelo conteúdo, não porque os outros gostam ou deixam de gostar. Por isso cito o Brasil, lugar onde a maioria sempre tem a vez, mesmo que isso signifique que a merda é melhor que o ouro. Não importa, é a maioria e pronto (o ponto cego da democracia burra). Populismo, autoritarismo, qualquer outro "ismo", é difícil indentificar essa situação, mas ela acontece. Pode ser na música, quando todo mundo começa a ouvir a mesma merda de sempre, primeiro o Sertanejo, depois o Funk Carioca, depois o Axé, etc. Também acontece com programas de TV, primeiro era o Faustão, depois novela, agora Big Brother, e por aí segue. Agora, tente gostar de algo diferente disso, durante a época do auge de cada um. És um extraterrestre. Como você pode chegar em uma roda de amigos (hmm... frase suspeita!) e não saber quem foi o eliminado no BBBosta de ontem? E pior ainda, quando eles começam a beber e ficar alegres e começam a cantar a música nova da dupla Tadeu & Tadando no 90° disco, e você não sabe acompanhar a letra. Aliás, cerveja é outro lixo pré-fabricado. Falam tanto da Coca-Cola, mas o maior marketing do mundo está nesse líquido com aparência de urina, já que quem não se embebeda e vomita no dia seguinte a uma balada é que é o anormal da turma. Da merda, digo, da cerveja para um carro batido, uma briga com alguém que não merece, um acidente facilmente evitável são poucos passos. Mas tente fala em 'Lei Seca' e logo aparecem os hipócritas pra usar números da época de Chicago nos 10, 20' pra provar que a tal lei aumentou criminalidade e blá blá blá. Mentira!

Aliás, manipular números é outra forma interessante de hipocrisia. É fácil, afinal, 1 + 1 pode se tornar um 8 facilmente para um hipócrita e seus seguidores. É aquela coisa, você fala uma verdade, apresenta um argumento no mínimo trabalhado, aí chega o sujeito normalmente sem nenhum argumento, somente com números falsos e/ou retalhados, frios, sem ligação com o assunto. Um "bom" exemplo são nas tais discussões sobre criminalidade. Porque se comemora a diminuição dessa, se ainda beira o desespero? É realmente para se comemorar que ano passado tínhamos 785 sequestros, e esse ano tivemos "somente" 139? Agora, um político usa isso facilmente a seu favor. E a grande maioria faz o favor de acreditar, ou dar crédito. Efetividade pouco importa nos dias atuais. Mas taí outra raça campeã de hipocrisia. Pior que político para ser hipócrita, somente as pessoas tentando defendê-los como se vê aos montes em Orkuts, programas de TV e palestras da vida. É realmente lamentável. Mas é a realidade.

Algumas frases feitas também são interessantes. Como aquelas clássicas que se lê o tempo todo nos nicks de MSN. É uma mais engraçada que a outra. As mulheres ganham nesse quesito, com coisas do tipo "com as pedras que jogaste é que construo meu castelo", enquanto o namorado a chifra com a melhor amiga. Ou aquelas legais de albuns do Orkut, como "a fila anda" (assumir que é puta é lindo!), "não quer, tem quem quer" (lixo até lixeiro quer), "sou uma diva" (e falta-lhe alguns dentes). Mas, o que se pode fazer? Nada. Apenas lute até o fim para o fim da hipocrisia, ou apenas não assuma a sua. Faça o que lhe vier na telha. Quer arrumar uma namorada mentirosa que te trai o tempo todo, só porque todos os seus amigos estão namorando? Namore! Quer arrumar um empreguinho vagabundo só pra comprar a moto usada igual dos seus amigos em 400 prestações só para não ser mais um na multidão, enquanto poderia estar investindo seu dinheiro em estudos? Faça! Quer ser mais um hipócrita na multidão imensa de hipócritas para não ser um alienígena em uma sociedade mesquinha e sem raciocínio ou intelecto algum? Faça. Mas sofrerás a consequência (parece as promessas de igrejas que te mostram as mil maneiras que você pode ir para o inferno aproveitando a vida, ao invés de doar parte do seu salário a padres pedófilos defendendo teses retrógradas com um livro considerado sagrado - segregado - em baixo do braço e uma cruz destituída de seu valor na outra mão). Enfim, cada um escolhe seu caminho. Mas se lembre "quanto mais gente sobre a mesma ponte, maiores são as chances dela romper" (nada como finalizar com mais uma frase feita!).

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