quarta-feira, 15 de dezembro de 2010

[Santos FC] - Hipocrisia da Imprensa sobre o Octa

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A hipocrisia da imprensa é grande. Agora, com o aceno da CBF em reconhecer (de forma merecida) os campeões dos títulos da década de 60' como legítimos campeões brasileiros, vários "jornalistas" torcedores deixam a máscara cair sem medo e mostram toda a ignorância que forma a imprensa "esportiva do país".

Primeiro, é preciso sempre lembrar como a imprensa brasileira funciona: jornalistas mal preparados, mal informados, desatualizados, parciais e movidos a interesses próprios. Resumindo, é isso. Mas se quiser se aprofundar um pouco mais, é simples e notório. Jornalistas em geral (cansado de colocar sempre entre aspas) são movidos a interesses próprios, não a sua profissão. Lhes interessa ganhar dinheiro e nada mais. Todo o "compromisso com a verdade" que tanto dizem nada mais é do que mentira. E isso não sou que falo. Todos os torcedores sabem disso. Aliás, inclusive os próprios sabem disso, tanto que se acusam mutuamente nas mais diferentes mídias (basta lembrar de brigas como as de Milton Neves x Kajuru/Juca Kfouri, ou do Trajano x Carlos Cereto da SporTV).

Apenas citando um exemplo: por quê se dá tanto espaço para os clubes mais populares em programas de TV, mesmo quando eles não merecem essa atenção? Resposta simples: eles dão mais audiência (ou compram mais jornais, revistas, acessam mais sites, não importa). Nisso, seus programas/jornais/revistas são mais vendidos ou assistidos. Isso gera mais interesse de anunciantes e, consequentemente, mais dinheiro para jornalistas. Ponto. Não há nada a mais que isso. Pra quê falar de um São Caetano na final da Libertadores se podemos falar do cachorro do jogador do Corinthians em uma matéria "jornalística" que vai render muito mais audiência, mais anunciantes, mais dinheiro? É simples assim. Fosse "apenas" isso, mas não. Todos sabemos que torcedores são passionais e, logo, não gostam de ouvir que se falem mal de seu clube, mesmo que esse mereça. O "falar mal" nada mais é do que citar verdades, mesmo que doam. Só que desagradar a torcidas populares significa menos audiência (quando ler audiência, entenda por audiência, venda de jornais, revistas, etc). Menos audiência significa patrocinadores e anunciantes descontentes. Anunciantes descontentes significam menos dinheiro para "jornalistas" (aspas saem e voltam, tô sem coerência). Ou seja, temos um círculo vicioso completo aqui. Não há porque ser jornalistas sério porque isso não coloca dinheiro no bolso. "Compromisso com a verdade" o escambau, o negócio é falar, escrever, noticiar apenas aquilo que interessa ao grande público. Ou será apenas coincidência que, mesmo outros clubes estando em melhor situação e mereçam mais atenção, fala-se sempre dos mesmos, independente de que fase estejam?

Bom, entendido o caso de jornalistas, entende-se o porque de tanta raiva que se sente pela equivalência desses títulos ao atual Campeonato Brasileiro. Afinal, pra quê rebater argumentos? Basta fazer ironia hipócrita como muitos estão fazendo que isso já satisfaz a parcela de torcedores que lhe interessam. Aqueles que geram dinheiro no bolso. Mostrar a verdade, os fatos, apontar erros e acertos? Que nada. O negócio é ser "jornalista-torcedor". Alguns exemplos:

- Usando de ironia, muitos contestam os títulos, alegando que eram competições diferentes, com outras regras, outros nomes, diferentes quantidades de participantes. Oras, então por que chama o São Paulo FC de tri-campeão Mundial? Os dois primeiros mundiais ganhos pelo São Paulo não eram competições com nome diferente, regra diferente e quantidade de times diferentes do atual Mundial também ganho pelo São Paulo em 2005? Se são duas coisas distintas, porque consideram o São Paulo FC Tri-Mundial e não o Palmeiras Octa-Campeão Brasileiro?

- Usa-se fatos históricos pra querer ridicularizar Taça Brasil e Roberto Gomes Pedrosa, por ter times desconhecidos e alguns que nem existem mais. Além de lembrar que estamos falando de competições da década de 60, alguém se lembra de algum "jornalista" contestando os títulos paulistas do Corinthians que foram ganhos em alguns campeonatos amadores, jogados contra times que não existem mais, times de bairros e universidades, e ainda campeonatos que tinham outros paralelos disputados por outros grandes do estado de SP como o Palestra/Palmeiras na época? Quem contesta isso? Afinal, se a Taça Brasil era "um torneio de quinta" por ter times assim, o que eram os Campeonatos Paulistas que são somados ao "Todo Poderoso" da mídia?

- Se contesta tanto títulos ganhos por Bahia, Santos, Palmeiras e Cruzeiro... simples. Agora, alguém contesta o Brasileiro ganho pelo Flamengo em 1987? Claro que todos citam a confusão gerada, mas alguém já ouviu algum jornalista dizer que o Flamengo NÃO é campeão brasileiro daquele ano? Sempre dizem ser polêmico, agora contestar, jamais.

- Alguém contesta o título do Vasco em 2000? Alguém tem coragem de afirmar "O Vasco NÃO é campeão brasileiro de 2000", mesmo sendo uma competição com outro nome (Copa João Havelange - alguém se lembrou de Taça Brasil ou Roberto Gomes Pedrosa?), com quantidade de clubes completamente diferente do atual brasileiro, com regras esdrúxulas (quase um time da segunda divisão foi campeão da primeira... e ainda poderia ser um time da terceira campeão nacional!!!) e sem ser organizado pela CBF?

Ou seja: alguém ainda tem dúvidas de que, se esses títulos tivessem sido conquistados por clubes que geram dividendos para a imprensa, não haveria tanta contestação? É apenas para se analisar.

terça-feira, 14 de dezembro de 2010

[Santos FC] - Legítimo Octa-Campeão Brasileiro de Futebol

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Muito tem se falado sobre a provável (até agora) equiparação dos títulos das antigas Taça Brasil e do Torneio Roberto Gomes Pedrosa com o atual Campeonato Brasileiro, o que transformaria Santos e Palmeiras nos maiores vencedores da competição que, por hoje, é conhecida como iniciada em 1971. E alguns argumentos são usados para rebater a (justa!) equiparação desses títulos. Vou tentar de forma breve mostrar (usando argumentos válidos de jornalistas sérios, porém tão torcedores quanto quaisquer outros) de como a justiça está sendo praticada.

Primeiro, é importante ressaltar como alguns jornalistas tem sido radicalmente contra essa equiparação. Alguns excelente profissionais como Rodrigo Bueno e Paulo Vinícius Coelho. Outros parciais e nada profissionais também. Porém, sejam eles bons ou maus profissionais, até agora não vi um só argumento que desminta a equivalência daqueles títulos como sendo legítimos campeões do mais importante nacional de futebol do Brasil. Então, segue algumas das mais comuns críticas a equivalência e a contra-argumentação:

- O Campeonato Brasileiro começou em 1971 e se manteve tradicional até hoje. Por que equiparar os antigos torneios à ele?

O principal ponto é a questão de equivalência. Foram os principais campeonatos de nível nacional da época. Cada um com suas regras, apesar das já tradicionais bagunças na organização da CBD/CBF, coisa que inclusive permaneceu na era pós 71. Define-se o Campeão Nacional da cada país aquele time que vence o principal torneio nacional do país. É assim no Campeonato Inglês, por exemplo. Mesmo havendo 3 competições no país que incluem todos os clubes profissionais, apenas um é considerado "o" campeão inglês, ou seja, o campeão da Premier League. Os campeões da FA Cup e da Copa da Liga Inglesa são campeões secundários, mesmo sendo campeões nacionais (porém, não campeões ingleses). Alguns países, especialmente alguns latinos, mantem a tradição de dois torneios por ano, o Apertura e Clausura, mais famosos na Argentina. Porém, são torneios distintos e de equivalência igual. Não são disputados simultaneamente, nenhum é secundário. São praticamente dois turnos separados, com um campeão pra cada. O que não acontece no Brasil. Temos, atualmente, duas competições nacionais, uma principal - a que vale o título de Campeão Brasileiro, no caso, do Campeonato Brasileiro - e uma secundária, a Copa do Brasil. Assim como acontece na Itália (com a Copa da Itália), na Espanha (com a Copa do Rey), etc. É apenas uma questão de definir o campeão do maior torneio nacional para dizer que ele é o Campeão do País. É sempre o torneio mais difícil, independente da fórmula de disputa, quantidade de times, etc.

- Mas aqueles torneios tinham nomes diferentes. Como são Campeonato Brasileiro?

Nome por nome, o "atual" conhecido como Campeonato Brasileiro já teve vários nomes e são reconhecidos. Em 2000, tivemos a Copa João Havelange, aquele monstro de regras complicadas onde quase um time da segunda divisão foi campeão nacional. Algum jornalista contesta o fato do Vasco ser o Campeão Brasileiro de 2000? Em 1987, a escandalosa Copa União, até hoje mal decidida. Seja Sport ou Flamengo, ambos se consideram Campeões Brasileiros. Já tivemos o campeonato com outros nomes e nunca foram contestados pela imprensa. Por quê Taça Brasil e Robertão (apelido do Roberto Gomes Pedrosa) são?

- Mas e a quantidade de jogos e times? Como pode um Campeão Brasileiro jogar apenas 4 jogos como Santos e Palmeiras fizeram?

Primeiro, é preciso lembrar que NINGUÉM foi Campeão Brasileiro jogando apenas 4 jogos. Apesar do torneio em si ter sido disputado por alguns clubes já nas semi-finais (clubes de RJ e SP entravam na disputa já nas semis por serem os estaduais mais fortes), um clube para estar ali precisa ser campeão estadual. Ou seja, disputava-se um torneio inteiro, em pontos corridos, turno e returno, para depois estar no torneio nacional. Estranho ou não, eram as regras da época. E, vale dizer, TODOS os clubes brasileiros tinham a chance de disputa em condições de igualdade pra chegar lá. Bastava vencer o seu estadual. Claro que havia uma facilitação a clubes fluminenses e paulistas por já entrarem nas semi-finais, mas eram as regras da época. Esse peso era por serem considerados os torneios mais fortes. Porém, isso é visto em muitos outros torneios, como o atual Mundial de Clubes, onde o Inter tenta o bi. Campeões da Europa e da América do Sul, os dois mais importantes, já entram na fase semi-final. Logo, apesar da regra ser injusta sim, era a regra da época, e todos os clubes aceitavam. Logo, não tem porque dizer que 'não vale', se eram as determinações e jogada por todos.

Quantidade de clubes também não é parâmetro. O Campeonato Brasileiro desde 1971 também já teve variadas quantidades de clubes. Alguns com mais de 100 clubes em uma mesma edição. Outros, com poucos (já tivemos apenas 18 clubes na primeira divisão, hoje são 20). Então, se há essa variação desde 71 e são "legitimados", por quê os anteriores não são? Eram as regras da época.

- Então qualquer título de âmbito nacional pode ser um Campeonato Brasileiro?

Não. A não ser que ele assuma a equivalência de mais importante do país. Como já foram explicado, o denominado Campeão Brasileiro, é o clube que vence o principal torneio nacional do seu país. Independente de nome, formula de disputa ou quantidade de times. E tanto Taça Brasil quanto Roberto Gomes Pedrosa foram os mais importantes de suas épocas, por isso a luta pela equivalência. Se há outros torneios secundários, os vencedores desses não levam a honra de serem considerados 'Campeões Brasileiros', apenas campeões nacionais. Como o Santos, em 2010 campeão da Copa do Brasil. O Campeão Brasileiro de 2010 é o Fluminense. Caso contrário, poderíamos considerar a Copa dos Campeões de 2000, vencida pelo Palmeiras, como "Campeão Brasileiro". Mas não era, havia outro torneio mais importante. O vencedor desse sim, merecedor do título.

- Mas e os anos em que houve dois torneios no mesmo ano, como o Palmeiras que foi bi no mesmo ano? Como fica então?

Pura e simplesmente desorganização da CBD/CBF. É claro que é estranho ser bi campeão nacional no mesmo ano. Em alguns países (como Argentina) é até possível, mas aqui soa estranho. Porém, eram as regras da época, esquisitas ou não. Se eram pra ser questionadas, que fossem antes de se iniciar o torneio. Iniciado, aceito e jogado por todos em condições de igualdade, deve ser respeitada. A desorganização de quem deveria organizar não deve ser empecilho para tirar a honra de quem ganhou dentro de campo. E tanto Taça Brasil quanto Robertão foram os embriões do atual Brasileirão. Se a CBF organizou mal, é outra história e outra discussão. Dentro de campo houve campeões legítimos. Em 2001, por exemplo, tivemos a final adiada da Copa João Havelange em janeiro, vencida pelo Vasco e a final do Campeonato Brasileiro, vencida pelo Atlético Paranaense em dezembro. Ou seja, desorganização já gerou campeões nacionais no mesmo ano, mesmo que o Vasco seja considerado de 2000. Se o Vasco vencesse o outro campeonato em 2001, seria bi no mesmo ano, assim como foi o Palmeiras. E já houve vários casos de torneios estaduais começados em um ano e terminado em outro. Não é porque o futebol brasileiro era mal administrado que se tira os méritos de seus vencedores. Vale lembrar que muitos dos jornalistas que hoje são contra essa equivalência e que, inclusive, usam de ironia pra dizer que houve dois campeões no ano, consideram o Corinthians campeão mundial em 2000, mesmo o Boca Juniors vencendo o torneio em Tóquio. Ou seja, consideram dois campeões mundiais no mesmo ano.

- Mas e a importância dada pelos clubes? Alguns dizem que eles valorizavam mais o estadual que a Taça Brasil, por exemplo.

Aí é questão de época. A Libertadores, quando se iniciou, não tinha a importância que tem hoje. Tanto que houve casos de clubes que preferiam disputar torneios amistosos vantajosos na Europa e disputar a competição. Mas isso também não tira os méritos dos vencedores. Dado mais ou menos importância por quem ganhou, o título foi conquistado.

- O Robertão tinha formulas mais parecidas com o atual, enquanto a Taça Brasil se parecia mais com a Copa do Brasil. Por quê não equivaler dessa forma?

Simplesmente porque a Taça Brasil foi o torneio mais importante do momento, aquele que definia o Campeão Brasileiro. Formula por formula, como já foi dito, o Brasileiro de 71 pra cá teve várias diferentes. O fato de alguns dizerem que Copa é Copa e Campeonato é Campeonato é falso. Não existe parâmetro. A COPA do Mundo já foi disputada com quadrangulares pra definir o campeão (como em 1950). Um quadrangular nada mais é do que um 'mini-pontos corridos'. Condição contrária a chamada Copa. E nem por isso deixa de se considerar o Uruguai campeão de 1950. Formulas de disputam mudam, já mudaram ano à ano, mas a equivalência, a importância dos torneios era a mesma.

- Essa decisão de dar equivalência, não é política?

Sim. E qual não é? A decisão do Campeão de 1987 também é, apesar de mal definida. Novamente, isso não tira a importância de quem venceu. Essas coisas, mesmo que obscuras, não devem ser misturadas.

- Outros torneios, como os de nível continental, devem ser equiparados também?

Talvez. É preciso analisar caso à caso. Querem equivaler, por exemplo, Copa Conmebol, Copa Mercosul e Copa Sulamericana. Mas pra isso se necessita de outras argumentações, pois a Mercosul, por exemplo, era composta por times convidados, sem méritos reais para estarem ali.

- Santistas então, falando em equivalência, consideram o Palmeiras campeão mundial de 1951, já que brigam juntos pela equivalência dos Brasileiros?

Eu santista que sou, pelo menos, não considero, por um simples fato. Apesar da importância dos clubes, a Copa Rio era um torneio de convidados. Mérito por vencer ninguém tira do Palmeiras, mas o fato de não dar a chance de disputa em igualdade para todos os clubes estarem ali não dá esse direito de se considerar campeão do Mundo. Coisa que tanto Taça Brasil, quanto Robertão, davam. Bastava um clube ser campeão estadual que disputaria o torneio nacional. No caso da Copa Rio, dizia-se que eram os principais campeões de cada país participante. O Brasil teve dois, Palmeiras e Vasco. Mas e o campeão inglês, por exemplo? Como ele faria pra participar da competição se não houve um qualificatório pra isso e não existia um continental? Clubes ingleses então jamais poderiam ser campeões mundiais? Isso não acontece na Taça Brasil, nem no Robertão, onde TODOS(!) os clubes tinham essa condição. Torneios semelhantes a Taça Rio foram muito disputados na década de 60, onde o próprio Santos venceu vários. E nem por isso a equivalência é dada.

- Que outros argumentos são usados pra dar essa equivalência aos torneios?

Pode-se usar a imprensa como principal fator de reconhecimento ou não. É verdade que a imprensa brasileira esportiva é podre em sua maioria, mas existem boas exceções. Não há jornalista que desconsidere o Corinthians (clube bem popular na imprensa, por exemplo) como o maior campeão paulista de todos. Mas e todos os torneios que o Corinthians ganhou (com méritos) no começo do Século XX e que tinham outros nomes, outros torneios paralelos e outras regras aos atuais estaduais? Por que são aceitos pela imprensa e a Taça Brasil e o Robertão não. Qual o parâmetro para considerar isso? E jornalistas que aceitam Flamengo e Sport, dois campeões nacionais no mesmo ano (ainda sobre muita discussão) e não aceitam Robertão e Taça Brasil? Na verdade, graças a desorganização da CBF (seja com o nome de CBD, seja a atual), sempre deu margem a várias interpretações. Mas, tirar o mérito de clubes por culpa disso, é injusto. Jornalistas, como formadores de opinião em um país onde a população, sabidamente, não é das mais inteligentes e nem faz questão disso, usam de vontade própria pra considerar aquilo que lhes convém. Sabe-se que existem os 'favoritos' da imprensa, normalmente, os clubes mais populares, que geram audiências maiores e que, consequentemente, geram mais anuncios para seus jornais, revistas, programas e, consequentemente, mais dinheiro para esses mesmos jornalistas. Ou seja, falar algo a favor de certos clubes geram dividendos para alguns jornalistas. Óbvio que não são todos, há sim exceções e bons profissionais, mas é sabido que a MAIORIA é assim. A própria imprensa (especialmente a TV) vive em pé-de-guerra e troca da acusações de lado a lado, além de brigas judiciais. Logo, deve-se sempre filtrar opiniões que argumentos, de pessoas sérias e que trabalham no intuito de informar, não de gerar interesses próprios. E, pra isso, conta-se nos dedos os jornalistas que valem a pena ouvir argumentações. Discussões de torcedores são sempre passionais e, não raras, extremistas. Mas a equivalência dos títulos de campeões daqueles times vencedores da Taça Brasil e do Roberto Gomes Pedrosa, por serem os campeonatos mais fortes da época e, logo, seus vencedores serem os legítimos Campeões Brasileiros dos respectivos anos, é uma justiça que se faz tarde. Mas que seja feita.

segunda-feira, 20 de setembro de 2010

[Geral] - O Discreto Ateísmo de Einstein

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A palavra Deus para mim é nada mais que a expressão e produto da fraqueza humana, a Bíblia é uma coleção de lendas honradas, mas ainda assim primitivas, que são bastante infantis.

Albert Einstein

Uma carta do físico Albert Einstein, que parece ter ficado escondida por mais de 50 anos, pode ter jogado uma pá de cal sobre o debate sem fim a respeito da “religiosidade” do pai da teoria da relatividade. A frase acima foi extraída dela, e permite entender o porquê de tanta decepção por parte dos defensores de um Einstein religioso.


A carta de Einstein, escrita em 1954, um ano antes da sua morte, foi uma resposta dirigida a Erich Gutkind, autor do livro “O chamado bíblico para a revolta”. Talvez tivesse pensado Gutkind que o endosso de um grande cientista reforçaria as teses religiosas da sua obra. Na carta, Einstein não apenas deixa clara sua posição em relação a Deus, como também sua posição como judeu: “Para mim, a religião judaica, como todas as outras, é a encarnação de algumas das superstições mais infantis. E o povo judeu, ao qual tenho o prazer de pertencer e com cuja mentalidade tenho grande afinidade, não tem qualquer diferença de qualidade para mim em relação aos outros povos.

Segundo o jornal britânico The Guardian, a carta, que era desconhecida por alguns dos principais biógrafos do cientista, foi leiloada por 170.000 libras (mais de R$540 mil) no último dia 15 de maio.

Não é de hoje que a suposta religiosidade de Einstein é motivo de debate. Boa parte da mídia e aqueles que pregam uma visão religiosa sempre deram ênfase a alguns aforismos e frases proferidas em público pelo físico alemão que apontavam nesse sentido, enquanto que posições em sentido contrário, expressas geralmente através de cartas particulares, ficavam escondidas. A frase “Ciência sem religião é manca, religião sem ciência é cega” talvez tenha sido a mais explorada. “Deus não joga dados” é outra. Em relação a esta última, hoje fica claro que fora tirada do contexto. No caso, Einstein se referia, de forma bastante irritada, aos pressupostos da física quântica -de seus colegas Niels Bohr, Max Born e outros- na qual Einstein não acreditava muito (evidências posteriores, entretanto, mostraram que Einstein estava errado).

Mas em várias ocasiões a posição de Einstein tinha ficado clara. Também em 1954, respondendo uma carta que lhe fora enviada por um missivista presumivelmente ateu, perguntando se de fato Einstein era, como a mídia americana afirmava, um homem religioso, este respondeu “Foi, claro, uma mentira o que o Sr. leu sobre minhas convicções religiosas, uma mentira que vem sendo sistematicamente repetida. Eu não acredito em um Deus pessoal e nunca neguei isso, ao contrário, tenho expressado isso claramente. Se há algo em mim que pode ser chamado religioso é a ilimitada admiração pela estrutura do universo até onde nossa ciência pode revelá-la.

Em outra oportunidade, recusando o convite de um rabino para freqüentar a sinagoga, Einstein responde: “Desde o ponto de vista de um padre jesuíta eu sou, claro, e sempre tenho sido, um ateu. Eu tenho dito repetidamente que a idéia de um Deus pessoal é infantil. Você pode me chamar de agnóstico, mas eu não compartilho o espírito de cruzada (crusading spirit) dos ateus profissionais cujo fervor é principalmente devido a um doloroso ato de liberação dos grilhões da doutrinação religiosa que eles receberam na sua juventude. Eu prefiro uma atitude de humildade correspondente com a fraqueza de nossa compreensão intelectual sobre a natureza e nosso ser.

Independente se esta carta acabará ou não com a controvérsia, é curioso assistir esta relação de contestação e desejo da religião para com a ciência. Quando a ciência, através de evidências e sem nenhum propósito de atacar alguém, diz que a terra tem milhões de anos e não os oito mil e poucos que a Bíblia indica, a ciência não serve. Quando diz que o universo parece ter sido criado bilhões de anos atrás através de uma grande explosão, a partir da qual surgiu todo o resto, contradizendo assim a versão literal do Gênesis, a ciência está errada. Quando a ciência diz que os humanos e todas as outras espécies são fruto de um lento processo de evolução e não de criação, a ciência está absurdamente enganada. Mas quando um cientista eminente manifesta uma posição pessoal pró-religião, ou quando algum experimento científico parece sustentar, mesmo que indiretamente, alguma revelação bíblica, cientista e descoberta assumem um valor inquestionável. Agora a ciência serve, mas apenas este minúsculo fragmento do pensamento científico!

A fé de quem crê não deveria ser posta em dúvida pela opinião pessoal de outro indivíduo, cientista ou não. A fé não se fundamenta em argumentos racionais, assim, não faz sentido utilizar a racionalidade da ciência para sustentá-la. Se as evidências científicas chegam a abalar nossa fé, é porque ela não era tão forte – e cega – assim.

Ainda bem!

Roelf Cruz Rizzolo é professor de Anatomia Humana da Unesp, câmpus de Araçatuba. Este artigo foi publicado inicialmente na Folha da Região, de Araçatuba. Você pode lê-lo em sua fonte original AQUI.