quinta-feira, 10 de janeiro de 2008

Fucking Åmål


Sabe aquele tipo de filme que passa naqueles festivais de cinema em que só vão vegetarianos, adoradores de Shakespeare e seguidores de Marx? Então, Fucking Åmål é esse tipo de filme. Pode facilmente ser classificado como um filme "B". Nunca definiram bem uma regra para definir esse tipo de definição (rs), mas é mais ou menos assim: super-produção, principalmente saída de Hollywood é uma coisa, o resto é "B". Então, novamente, esse é o caso do filme. Mas esse me chamou a atenção de uma forma diferente. Não sou fã do tipo de filme que (tenta) ser 'cabeça', daqueles que ninguém entende e sai tecendo críticas como se o imperialismo fosse a pior coisa do mundo (não é!). Porém, a película em questão tem um ar mais realista, e menos filosófico. É mais como uma exposição da sociedade pré-adulta da Suécia (terra do filme), mostrando toda sua face alternativa. São jovens europeus, com alto poder aquisitivo e que vivem em um país modelo. Mas tem suas "fraquezas", como consumo de álcool e perda da identidade local, toda voltada a países estrangeiros.

O filme pode ser encontrado também com o título "Show me Love", em alusão ao tema central do romance de duas jovens suecas. Mas isso é o de menos. O que realmente importa nesse filme é a humanização da sociedade européia, muitas vezes tratada como um antro de pessoas finas, ricas e asquerosas ao mesmo tempo pelos terceiro-mundistas (ou seja, nós). Lá, como cá, os jovens são os mesmos, tem costumes muito parecidos. Nenhum dos protagonistas do filme saía pra esquiar ou ler na maior biblioteca de Estocolmo pra tentar um dia receber um Nobel e ser o orgulho da terra natal. Todos eram como a classe média brasileira é, e como a classe média mundial de todo o mundo é. Consumista, prefere sempre o que é melhor ou o que acha mais bacana, independente da cultura local (seja por um poster do Nirvana, seja por beber Coca-Cola). Gosta de andar em grupos, onde existem divisões de classes, com os mais populares ditando regras que os outros cabeças ocas seguem cegamente. São extremamente rebeldes e, ao mesmo tempo, crianças ainda não formadas, que fazem dos menores problemas, motivo para querer o suicídio. Há os mais populares, as mais populares, e aqueles que são avesso a tudo isso e que, um dia provavelmente, serão os patrões dos que hoje se gabam de notoriedade regional. É como uma sociedade qualquer. Existem sim as diferenças culturais, mas no fundo, a essência dessa idade é a mesma.

O título do filme assusta. O menos desavisado acha que se trata de um filme pornô pelo "Åmål" (que nada mais é do que uma cidade sueca). Mas mesmo não tendo cenas de sexo explícito (nem de maneira alguma), é um filme que choca, por suas duas protagonista descobrirem um lado "B", assim como costumam classificar o filme. Agnes é a menina diferente da turminha da escola, não tem amigas, evita contato para não ser hostilizada. Coisa comum, em qualquer escola de periferia de São Paulo se vê isso. Mas ela não revela que gosta da garota mais popular da escola, pois é nova na cidade. Tranca pra si sua vontade. Enquanto Elin, a loira por quem Agnes é apaixonada, vive sua vida conturbada de 'estrelinha' da turma, sendo a mais popular em festas e coisas do tipo. Esse é só o ponto central do filme, mas os detalhes é que são interessantes, justamente pela naturalidade. É interessante pra se ver em uma tarde sem nada pra fazer e com os canais Telecine como degustação. Nada que mereça atenção muito especial, senão é perigoso descobrir que o filme é ruim. Melhor guardar a primeira impressão e não se aprofundar. Acho que chegou a concorrer ao Oscar de melhor filme estrangeiro de 1998 pela Suécia, ou esteve bem próximo disso. Se não foi, ainda bem. O charme do filme com título forte é justamente passar desapercebido entre um blockbuster aqui e outro ali. Outro destaque (pra mim, pelo menos), é a trilha sonora completamente underground e com "ritmo" inglês, bem característca escandinava. Vale por Broder Daniel.

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