quarta-feira, 15 de abril de 2009

[Geral] - Marketing Ateu Sobrevive

A inglesa Ariane Sherine, 28, estava indo para o trabalho quando viu uma propaganda colada num ônibus de Londres. Era uma citação da Bíblia, acompanhada por um endereço na internet. Ao acessar o site, ela tomou um susto: a página, que pertencia a uma igreja evangélica, dizia que quem não for cristão e não aceitar Jesus será condenado a passar a eternidade nas chamas do inferno. "Peraí. Então quer dizer que 68% da população mundial vai para o inferno? Eu não pude acreditar que esse tipo de idéia estava sendo difundida em pleno século 21, para assustar as pessoas", diz Ariane. Indignada, ela procurou o governo inglês para reclamar da propaganda, mas não adiantou nada. Hora de agir. Com a ajuda dos internautas, ela arrecadou dinheiro para montar uma megacampanha publicitária defendendo o ateísmo e desenvolveu slogans como "Deus provavelmente não existe. Pare de se preocupar e aproveite a vida", que foram colocados em 800 ônibus de Londres. Como seria de se esperar, a campanha foi criticada por religiosos, e o blog de Ariane (arianesherine.blogspot.com) recebeu centenas de comentários desaforados. Houve até um motorista que se recusou a dirigir o que chamou de "ônibus pagão". Mas ela continuou com tudo: recebeu o apoio de Richard Dawkins, um dos maiores cientistas do mundo e ateu praticante, e recolheu R$ 500 mil para colocar 1000 cartazes no metrô de Londres. E a idéia se espalhou pelo mundo: ateus de EUA, França, Itália, Espanha e Austrália resolveram fazer suas próprias campanhas contra Deus e a religião (veja na foto).

Ariane, que é jornalista da BBC, diz que seu objetivo não é atacar as religiões, pois a campanha é só uma maneira bem-humorada de tranquilizar os ateus. "Espero que as mensagens alegrem as pessoas quando elas estiverem indo para o trabalho".

A coisa, na verdade, é muito maior que isso. Primeiro, créditos merecidos para o autor do texto, Marcos R. Santos, da revista Superinteressante e também para o autor do infográfico que não pude encontrar os créditos na revista.

Essa campanha é exemplo, uma vez que em nenhuma das mensagens mostradas existe um ataque deliberado contra religiões. É apenas um contra-ponto de tantas campanhas religiosas que se vê no dia-a-dia. Não existe mal algum nisso e, qualquer religioso ignorante que seja contra, mostrará apenas que não sabe conviver com quem pensa diferente dele. O Estado deveria ser laico, mas todos sabemos que não é. A propaganda também deveria ser laica, mas como foi mostrado no texto, nada podia ser feito judicialmente contra, então também não é. Não sendo laica, não existe razão para protestarem contra propagandas dessa forma. Afinal, é um direito acreditar ou não. Então, que seja um direito divulgar os que acreditam e os que não acreditam. Funciona simples assim.

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