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terça-feira, 31 de março de 2009

O Mundo Sem Nós


O que aconteceria se toda a raça humana fosse varrida da Terra num piscar de olhos? Não através de uma bomba nuclear, um meteoro enorme ou alguma epidemia incontrolável. Simplesmente sumisse de uma hora para outra. Seria legal, certo? Bom, seria. O que seria chato mesmo é não ter a chance de ver como o mundo ficaria de verdade sem nós. Pois eis que um documentário (fictício, obviamente) fez esse interessante exercício de imaginação com ótimo efeitos visuais em CG. O nome do documentário é "The World Without Us" ("O Mundo sem Nós", em português). O responsável por isso é o americano Alan Weisman, responsável pelo livro homônimo e de várias outras publicações interessantes.

O principal ponto do filme é o fato de não haver uma explicação para o sumiço do homo sapiens. Até por não ser esse o objetivo. A intenção é mostrar como nós afetamos o curso natural do planeta com a nossa existência, e todas as consequências que ela traz para Terra e os outros animais e plantas.

Projetando as consequências a curto, médio e longo prazo, é interessante ver o que aconteceria se deixássemos de fazer a manutenção de edifícios, pontes e todas as outras estruturas humanas que estão no planeta. Dessa forma, locais como Manhattan, por exemplo, voltaria a ser um "Central Park estendido", com vários edifícios em ruína, plantas e animais por todos os lados, etc. Interessante é observas que as projeções não são baseadas em 'achismo'. São fatos relevantes, muitas vezes baseados em situações reais como em casas abandonadas a décadas. Muitas delas nós temos a real possibilidade de visualizar, como estradas mal cuidadas. No documentário, é mostrado como as ruas seriam tomadas por raízes nascendo nas fendas. As estruturas de edifícios e casas mais comuns, como os construídos hoje em dia, seriam minadas por fundações alagadas ou animais que corrompesse essas estruturas, seja de madeira ou concreto. Já outras, feitas de pedras mesmo (como igrejas) ou com forte estrutura, durariam mais tempo, porém não mais que alguns séculos, sofrendo com a atividade da natureza como chuva, vento, calor, frio, etc. Os animais também seriam parte importante dessa degradação. Aves usariam os arranha-céus que sobrassem para fazer seus ninhos no alto, enquanto animais selvagens que evitam contato direto com seres humanos ganhariam mais 'espaço' e novas fontes de alimentação, como ursos e raposas, o que faria aparecer um novo equilíbrio ecológico, bem diferente do atual. Em compensação, animais domésticos (com cães) e até outros nem tão domésticos assim, mas que dependem dos humanos para encontrar comida fácil, como ratos e baratas, surpreendentemente sofreriam, por não terem suas vidas adaptadas ao mundo sem nós.

Enfim, são incontáveis as cenas bem produzidas e explicadas. Realmente vale a pena, principalmente pra quem gosta de ficção científica, mas baseada em fatos concretos. Só uma curiosidade: na foto ao lado, está a cidade de Prypriat, na Ucrânia, já citada aqui (por coincidência).

segunda-feira, 30 de março de 2009

Citi Field dos Mets inaugurado


Sim, o New York Mets inaugurou o Citi Field antes do início da temporada da MLB. Como mostrado na foto, ele está atrás do Shea Stadium. Lá, a preocupação com estádios melhores e mais modernos passa por cima da tradição, em nome do conforto. Pena que aqui não se pensa assim... segue noíticia do New York Times sobre o estádio, por Joshua Robinson:

Na primeira e única vez que o New York Mets inaugurou um novo estádio, em 17 de abril de 1964, ainda havia operários terminando o serviço de pintura. E enquanto o Mets e o Pittsburgh Pirates se aqueciam no gramado para o jogo daquela tarde no Shea Stadium, ainda havia trabalhadores nivelando as partes de terra do campo.

Assim, passados 45 anos, na hora de inaugurar o Citi Field, os Mets decidiram que um ensaio completo não faria mal. O estádio será adotado formalmente pela equipe em um amistoso contra o Boston Red Sox na sexta-feira, antes do jogo oficial de abertura do campeonato, contra o San Diego Padres, em 13 de abril.

Mas a primeira partida de beisebol disputada no Citi Field aconteceu no domingo, opondo as universidades St. Johns e Georgetown. O público era formado por 22.397 torcedores que compareceram para uma primeira avaliação da nova casa dos Mets. O que encontraram, em meio ao nevoeiro da tarde nublada, foi um estádio aconchegante mas ainda em finalização de diversos aspectos.

Antes do jogo, era possível ouvir o ruído de serras elétricas em diversos pontos do estádio, e operários usando capacetes circulavam pelos corredores. As barracas de comida estavam abertas, mas com cardápios limitados; diversos dos painéis publicitários estavam desocupados; e as marcas de distância ainda não haviam sido pintadas nas cercas que delimitam o campo. Jeff Wilpon, o vice-presidente de operações dos Mets, estava fazendo uma inspeção completa de todas as instalações, em meio ao burburinho.

"Tudo está funcionando bem", disse Dave Howard, vice-presidente de operações de negócios dos Mets. "Diria que os pequenos defeitos encontrados aqui e ali são todos relativamente simples".
Os Mets venderam 30 mil ingressos, a US$ 5 cada, e distribuíram outros 12 mil, mas o clima feio manteve muitos torcedores em casa. Aqueles que compareceram começaram a desembarcar da linha sete do metrô às 10h, acompanhando placas que os conduziam da estação ao "Mets Baseball", e não mais ao "Shea Stadium". Eles pararam nos portões, fotografando o exterior inspirado no Ebbets Field, e logo começaram a passar pela praça frontal que homenageia Jackie Robinson.

Para Joseph Schmidt, 72 anos, que também assistiu à inauguração do Shea, em 1964, as lembranças de encher os bolsos de sanduíches e entrar como penetra no Ebbets Field, quando era menino, continuam vívidas.

"É maravilhoso que eles estejam honrando o passado dessa forma", ele disse, inclinando o pescoço para ler os dizeres perto do topo da praça comemorativa.

Embora trace suas origens ao Brooklyn Dodgers e ao Ebbets Field, os Mets não ignoraram os anos passados no Shea Stadium, do lado oposto da área de estacionamento do novo estádio. A silhueta de Manhattan que ficava por sobre o placar agora está posicionada sobre duas barracas de alimentos na posição central de acesso ao campo. A maçã gigante que saía de dentro de uma cartola sempre que um homem run era anotado também está presente, e existe uma nova maçã instalada em um buraco para lá da cerca da área central do campo.

Mas ela não apareceu no domingo quando Sean Lamont, de Georgetown, conseguiu o primeiro home run do Citi Field com uma rebatida em parábola na direção da arquibancada esquerda.
"Enquanto eu corria pelas bases, comecei a rir", disse Lamont depois do jogo. "Foi genial".
Ainda que a bola tenha percorrido mais de 100 metros e passado por sobre a cerca, o consenso aqui era o de que o Citi Field provavelmente ganharia fama como estádio favorável aos arremessadores. Nos poucos momentos de que precisou para fazer o primeiro arremesso cerimonial da partida, John Franco, antigo rebatedor do Mets, já percebeu que o novo estádio era grande. Da home base, o campo esquerdo se estende por 115 metros, e o direito por 116 metros.

"As dimensões são todas semelhantes às do Shea Stadium, mas dado o fato de que as muralhas são um pouco mais altas no campo esquerdo, algumas das bolas que poderiam ser home runs não o serão", disse Franco.

A cena para além do campo era de movimento permanente, enquanto os torcedores se espalhavam pelos corredores largos que se tornaram obrigatórios nos novos estádios de beisebol. A partida universitária não interessava a maioria deles, que apareceram usando as cores dos Mets e armados de câmeras. Quase todos passaram uma tarde nublada mas feliz explorando as barracas de comida, os melhores locais para assistir ao jogo e tudo mais que o Citi Field tem a oferecer.

"Você viu os banheiros aqui?", perguntou Jeff Gold, de Bellmore, que tem ingressos para toda a temporada. "São limpos, e são imensos. O estádio é de primeira classe".
A classificação "primeira classe" raramente foi usada para definir o Shea Stadium. E para Kevin Murphy, detetive em uma delegacia de polícia em Queens, isso facilitava deixar para trás o velho estádio azul.

"É um novo começo", ele declarou. "Muita coisa muito ruim aconteceu por lá". [Tradução do site Terra].

I.O.U.S.A.

Ontem, no canal GNT, logo após o (excelente) Manhattan Connection, foi exibido o documentário estadunidense I.O.U.S.A.; Esse documentário aborda o tema político mais importante nos EUA no momento, a estratosférica dívida pública. Realmente interessante para saber como o "país mais rico do mundo" (em palavras de uma das pessoas apresentadas no filme) entrou em uma crise que, parece, pode fazer o sistema financeiro do país entrar em colapso (talvez, não para um futuro tão próximo).

Como eu já disse aqui algumas vezes, os EUA são o país mais ombudsman do mundo. E esse documentário prova que isso é verdade. A lavação de roupa suja de forma pública, em um video que pode ser visto no mundo todo, mostra o quão a situação é grave. O diretor Patrick Creadon conseguiu sintetizar bem em pouco mais de 1 hora de video como a situação chegou ao ponto que está hoje - praticamente sufocante.

O documentário é divido em quatro capítulos. No primeiro, mostra o Budget Deficit, a forma como sempre fora administrada a economia americana, desde sua independência (e como a dívida foi aumentando). Em um infográfico bem interessante, fica claro a tremenda montanha russa que esse déficit sofreu ao longo dos anos. Sua acentuação em tempos de guerras e grandes crises (como a da década de 30 que não poderia passar batida em um documento como esse). Interessante como é mostrado a opinião de algumas pessoas a respeito, coisa bem tradicional em um documentário. Na verdade, entenda-se "opinião" como desconhecimento. Não que isso seja exclusividade americana, em todos os países a população desconhece como as dívidas públicas são geradas. Pequenos grupos de corajosos tentam alertar sobre o que realmente importa na vida das pessoas, um deles mostrado durante o documentário, quando alguns jovens tentam (em vão) alertar as pessoas frente a uma faculdade. Claro que poucos sequer se interessam de verdade. Aliás, o documentário é, praticamente, baseado nisso. Um alerta para os rombos que a economia vem gerando devido o descaso do governo (como a impressão de dinheiro descontrolado, desvalorizando a moeda), a despreocupação da população e a falta de fiscalização. Para esse alerta, foram escalados Robert Bixby (diretor do Concord Coalition) e David Walker (U.S. Comptroller-General), ambos viajando pelo país para apresentar os números claustrofóbicos que a economia está se metendo, através de suas instituições. Já o segundo capítulo, foca o modo como os americanos (e o governo, por tabela) tem reagido na crise com relação as poupanças. O dinheiro "seguro" que, em tempos de crise, serve para amenizar os males. Ou a falta dele. Os 'savings' estão desaparecendo diante do consumismo sem precedentes da população americana em geral, inclusive com uma sátira com o ator Steve Martin, lembrando que se deve comprar "apenas aquilo que se pode pagar". Não que os americanos (e, convenhamos, todo o resto do globo) façam isso. O terceiro capítulo é onde o "Trade Deficit" é gerado. Não passa da balança comercial. O "arroz com feijão" de exportar pelo menos a mesma quantidade que importar para manter suas contas equilibradas. E, óbvio, isso também não foi feito. Apesar de ser um dos maiores exportadores do mundo, é nítido que os EUA são os maiores importadores. Inclusive, é mostrado como a sucata americana sai do país a preços baixíssimos e volta em forma de produtos caros industrializados (feitiço contra o feiticeiro), tornando o rombo cada vez maior.

E aí vem o quarto capítulo: hora de detonar o Mr. Bush filho. O "Leadership Deficits", tratado de forma justa como o pior de todos, pois é onde a coisa é gerada. A forma como o último governo estadunidense (de dois mandatos), usando guerras e corte de impostos como pretexto, quase dobrou a dívida americana que vinha desde sua independência, mas em apenas 8 anos. E como a coisa chegou ao patamar atual, com estouro da crise imobiliária e as consequências que serão pagas pelos filhos e netos dos que atualmente fazem isso (incluindo o povo americano). O "seguro social" pode entrar em colapso até 2040, quando o governo não conseguirá pagar mais a aposentadoria e suas contas. Claro que, no final, até em clima nostálgico, são mostradas as soluções simples de como melhorar a situação - afinal, essa é a intenção do documentário. Mas isso passa quase como um segundo plano diante das aberrações político/econômicas mostradas, que estouram sempre no social. É mais uma forma de se pensar como as coisas estão sendo feitas, servindo inclusive de espelho para o Brasil.

domingo, 28 de dezembro de 2008

Paradeiro de "Em Busca de Confusão"

Eugene Byrd (James): depois do filme, ele começou a participar de várias séries. Em Law & Order: SVU, participou de um episódio, assim como em ER (conhecido aqui no Brasil como Plantão Médico por alguns). Porém, seus mais famosos trabalhos recentemente foram no filme Anaconda 2, e em duas populares séries como Tow and a Half Men, no episódio piloto (jogando poker com Charlie Harper) e na série Heroes, quando participou de 4 episódios. Atualmente, está participando das gravações de dois filmes para estrearem em 2009 e 2010.


Ellen Blain (Jenny): teve uma carreira bem fraca após o filme, participando de algumas séries como convidada e de um filme "clone" de American Pie. Dentre as participações mais marcantes, estão na série Blossom, quando interpretou uma garota que se vestia e se comportava exatamente igual a protagonista da série, e em ER, quando fez uma namorada de um viciado em drogas.




Meghann Haldeman (Angela): assim como a Jenny, Angela não teve tanto sucesso na carreira. Sua mais efetiva participação foi em uma série sem muito sucesso chamada Harts of the West, uma mistura de Western com comédia e drama. Depois de fazer um filme para TV e participação como convidada em algumas séries, participou do último trabalho em 1998, no filme Debutante. Parece que, depois disso, encerrou a carreira.


Ethan Embry (Cosmo): Cosmo teve uma carreira mais sólida. Curiosamente participou da mesma série de Angela, mas como convidado em apenas 2 episódios. Fez vários filmes, nenhum de grande sucesso. Também participou de muitas séries, várias com participação relevante como FreakyLinks e Dragnet (ambas desconhecidas aqui pelo Brasil), além de participar de séries mais famosas como Law & Order: CI e Numb3rs. Também trabalhou com dublador em várias animações.


Jack Evans (Dabney): esse foi o que teve a carreira mais curta. Consta que seu último filme foi justamente o "Em Busca de Confusão", sendo que antes dele, só havia feito outro filme chamado Turner & Hooch, também pra TV. Como não prosseguiu na carreira, não encontro nem foto dele pra postar.


Richard Gilliland (Jurgen): o atrapalhado sequestrador Jurgen, após o filme, teve sua carreira praticamente baseada em séries, todas como convidado, além de alguns filmes feito pra TV. Dentre as séries mais famosas estão Party of Five (a mesma que revelou o Jack de Lost), Joan of Arcadia, além de participação em um episódio apenas nas séries 24 Horas e CSI (a original).


Maryedith Burrell (Katyana): a esposa mandona de Jurgen também não teve muito sucesso na carreira, encerrada no ano 2000. Sua mais relevante participação após o filme foi na popularíssima série Seinfeld, de Jerry Seinfeld, onde participou de dois episódios como a personagem Maryedith.


Ralph Bruneau (Tim Mitchell): o despreocupado pai de Dabney também teve curta carreira. Após o filme, seus mais relevantes trabalhos foram nas séries de comédia Seinfeld e Mad About You (hehe), ambas como convidado. Não atua para TV/cinema desde 1993, quando passou a se dedicar apenas ao teatro, participando de algumas peças da Broadway.


Tony Longo (Bruce): o alvo preferido de Dabney e Cosmo, ajudado por seu biotipo, fez participações em vários filmes e séries, quase sempre como esportista, seja como um wrestler, seja como jogador de futebol americano. Esteve como convidado em séries famosas como ER, The X-File (Arquivo X), Six Feet Under, Monk e Las Vegas. Também participou da série para TV Loucademia de Polícia, inspirada nos famosos filmes, além da novela (soap opera) americana Days of Our Lives, famosa principalmente pela série Friends, onde um dos protagonisas, Joey Tribbiani fazia um ator da atração. Atualmente está gravando alguns filmes sem grande orçamento, porém ainda continua na atividade.


Phil Proctor (Norman Decker): o empresário que construiu um "império do nada" e queria explodir o avião para pegar o dinheiro do seguro, na verdade teve poucos trabalhos como ator de verdade. Sua carreira se baseia mais em dublagens, principalmente de animações de jogos para videogames. Entre as dublagens mais conhecidas suas, estão as da série de filmes Dr. Dolittle, estrelados por Eddie Murphy.


Jack Kehler (Bane): o contratado de Norman Decker para explodir o avião e, também, parceiro de dança hare krishna, está na ativa na carreira até hoje. Teve algumas participações em filmes como MIB II e participações como convidado em várias séries, como Star Trek: Deep Space Nine, ER, The Pretender, Angel, 24 Horas, The New Adventures of Old Christine, Monk e Las Vegas. Atualmente gravou dois filmes de baixo orçamento que estão para estrear em breve.


Francis X. McCarthy (Hansen): o chefe de polícia Hansen também teve carreira semelhante aos outros atores que ainda estão atuando. Seu mais relevante trabalho foi na popular série Melrose Place, quando interpretou o personagem Dr. Calvin Hobbs por 7 episódios.


Raymond Forchion (Cohn): Cohn, que avisou os jovens sobre a presença da bomba e que também era da polícia, atuou recentemente em um filme que está para ser lançado, mas sua carreira após o filme mesmo não teve grande sucesso. Participou de alguns filmes pequenos e em duas séries de comédia, Ellen e Will & Grace. Por ter muita semelhança física, fez o papel de O.J. Simpson em um filme americano feito para TV, onde interpretou o polêmico ex-jogador de futebol americano que escapou de forma incrível do julgamento por assassinar a mulher e é constantemente citado em vários filmes, séries e afins nos EUA.

quinta-feira, 11 de dezembro de 2008

Degeneration

Ontem, ao assistir Degeneration, senti que, finalmente depois de anos, pude rever uma das histórias que mais me encantou em todos os tempos. Na verdade, em se tratando de roteiro, é sem dúvidas o que mais me encantou. Biohazard/Resident Evil é uma obra prima. Quer dizer, pelo menos enquanto se dispôs a ser o que é. Com a chegada de Resident Evil 4, o castelo de baralho praticamente ruiu, deixando poucas peças em pé para que pudesse ser reiniciado novamente. Apesar dos fãs mais ufanistas, a verdade é que RE4 se descaracterizou completamente dos outros jogos, em nome de um novo jogo. Ao ser anunciado para PS2, o jogo era pra dar continuidade ao fim da Umbrella, mas trouze Leon num futuro bem mais distante, não mais lutando contra um vírus. Pra mim, pessoalmente, isso é fatal. É claro que, junto à isso, veio o pacote de explicações, de que Wesker irá usar o Las Plagas para interagir com sua amostra do vírus para criar algo mais potente e tal, mas pra mim não passou de uma desculpa esfarrapada pela derrapada que veio com o jogo. Tudo em nome da concorrência com outros jogos. Ninguém mais queria zumbis lentos, nem câmeras fixas. Então, se pensou primeiro em um jogo de ação ao contrário do Survivor Horror dos jogos anteriores. Aí a história só foi montada em cima, uma pena. Não que seja ruim, mas não é a mesma coisa.

Voltando ao filme em animação, devo começar pelos pontos fracos. Graficamente falando, está fantástico. Mas as animações em CGI (mesmo o cantarolado Final Fantasy) ainda pecam em alguns aspectos como expressões faciais e movimento da boca. A movimentação dos personagens está muito boa, mesmo que as vezes não soe tão real, mas a qualidade compensa. Agora as partes boas!

Pra quem acompanha o enredo de Resident Evil (pra mim o grande ponto forte da série toda), deveria estar com saudades dos T-Vírus e G-Vírus, assim como eu estava. A volta de dois personagens marcantes como Leon e Claire também ajuda a completar o clima de nostalgia. Sem contar nas poucas mensões a Umbrella, até essa da saudades (sinceramente, quem realmente gosta daqueles Los Illuminados?). As cenas inicias do aeroporto são fantásticas. Claire vendo os cadáveres caindo do avião após esse se chocar com saguão principal do aeroporto e dizendo "denovo não" é de arrepiar, quase uma volta ao passado. Depois, as cenas de ação de Leon ao resgatar Claire e os outros personagens, as escapas entre zumbis com cabeças explodindo, os mesmos erros de sempre cometido pelo fortão com armas (dessa vez sobrou para tal de Greg) não poderiam faltar. Até mesmo os tradicionais questionamentos, ao ver o grupo salvo saindo do aeroporto e só então os soldados estilo swat entrando atirando em todo mundo (por quê não entraram antes se eram somente zumbis lentos?). Depois é que na verdade começa o show.

As velhas histórias de suborno, conspirações de grandes empresas (sai a Umbrella, entra a WilPharma), a reviravoltas e, claro, facilities! Também não poderia ficar de fora cenas com zumbis em corredores, elevadores, tudo meio destruído, com clima de suspense ao fazer uma curva de um corredor ao outro, tudo está lá. Até mesmo os pequenos milagres de explosões a queima roupa não afetarem os protagonistas. Só Claire teve, nesse filme, um avião caindo sobre o saguão do aeroporto onde estava, uma explosão que devastou um prédio inteiro onde só a feriu com um estilhaço de vidro na perna, sem contar os vários zumbis que não conseguem pegá-la, mesmo a poucos metros de distância. Mas isso faz parte do charme de Resident Evil. Leon é o mocinho que salva todo mundo, em cenas de ação mirabolantes (como a fuga do F4 prestes a demoronar), os tiros certeiros, a frieza de cara ao perigo e tudo mais. Também vale destacar a volta da mutação causada pelo G-Vírus no personagem Curtis Miller, relembrando o assombroso William Birkin. Está tudo lá.

E o melhor de tudo, no final, a deixa para continuação (ou irão esperar apenas para explicar no RE5 com a volta do Chris Redfield?), da empresa Tricell, que parece assumir o lugar da WilPharma. Ou seja, muda-se as empresas, mas o objetivo é quase sempre o mesmo, a criação da arma biológica perfeita (e sua cura também, em caso de acidente claro). Será que isso é tão longe assim da realidade?

Resumindo: o filme é espetacular pra quem gosta de Resident Evil, principalmente a velha guarda (da qual me incluo) que não digeriu muito bem, ainda, o confuso e bobo roteiro de Resident Evil 4. Tomara que eles arrumem ótimas desculpas para o Resident Evil 5, colocando as peças novamente no lugar e voltando com esse enredo fantástico. Agora, é só aguardar pelo quinto capítulo da série (ou seria o sexto devido a Code Veronica?).

quarta-feira, 10 de dezembro de 2008

Em Busca de Confusão

Filme clássico dos clássico da Sessão da Tarde (eita geração que gosta de coisa tosca essa minha). É claro, não passou nem perto da quantidade de exibições de outros filmes (ninguém pensou em Lagoa Azul, né?) e tampouco próximo do sucesso de outros filmes, como Curtindo a Vida Adoidado e De Volta para o Futuro, só pra ficar em dois monstros de seus gêneros. Mesmo assim, vale a pena ressucitar esse filme "pérola", cujo nome o narrador das chamadas da Sessão da Tarde adora: "Em Busca de Confusão".

A história não poderia ser mais clichê/brega: os amigos Dabney e Cosmo costumam aprontar as piores travessuras com um instrutor do acampamento onde seus pais costumam lhes mandar todo o verão. E claro, sempre o coitado do instrutor chamado Bruce se dá mal. E, eis que no verão seguinte, quando eles estão para serem mandados novamente para o mesmo acampamento pelo "bom comportamento", eles conhecem outros três seres iguais a eles: James, especializado em bombas caseiras e química em geral, Jenny, viciada em jogos e apostas e Angela que, bom, ela não faz nada mas é legal - além de não falar uma só palavra.

Quando eles se reunem no aeroporto para mais um verão no acampamento, descobrem que Jenny e James já armaram contra Bruce (sempre ele, coitado) e que agora estão "livres" dentro do aeroporto. Quando tentam burlar a segurança para entrar na pista, são reconhecidos e fogem para dentro um avião de um empresário, amigo do pai de Cosmo, chamado Norman Decker. Ao chegarem lá, além de encontraram um pequeno avião particular cheio coisas interessantes (como gás do riso, cobra em aquário, uma cozinha completa, etc), são surpreendidos por dois sequestradores que planejavam sequestrar o avião de Normam. Só que não esperava encontrar o grupo ali. Surpresa para todos, inclusive para o próprio Norman Decker, que tinha mandado plantar uma bomba dentro do avião para explodí-lo e pegar o dinheiro do seguro, já que ele estava virtualmente falido!!! (eu disse que era brega esse roteiro, mas isso que torna a coisa legal)

O casal de sequestradores, como não poderia deixar, são tremendamente atrapalhados (lembra do clichê de Esqueceram de Mim, por exemplo?). Além de serem um casal, digamos, nada formal. Que o diga a cena de ambos na cama, enquanto as crianças estão no centro do avião. Ah claro, esqueci de mencionar: para completar o roteiro bacana (brega igual essa expressão), Cosmo é filho de piloto e sabe pilotar a nave, o que (claro), não poderia deixar de acontecer, o avião é obrigado a decolar contra a vontade de todos ali dentro. Assim, temos no ar dois sequestradores atrapalhados, um grupo de jovens delinquentes (mas nem próximo de violentos) e os pais em terra torcendo para que o avião não volte (sim, isso mesmo). Será que eles eram tão ruins assim?

No final, é claro que os garotos prendem os sequestradores dentro do avião (em cenas de comédia pastelão), o empresário que queria explodir o avião é preso dançando hare krishna no aeroporto, eles se livram da bomba ainda no ar e conseguem posar o avião em segurança, pra alegria de todo o aeroporto, inclusive de seus pais que os rejeitavam (sentiu o drama da coisa?). Então, pra não ficar mais no lenga lenga, segue algumas das frases (e situações) mais marcantes desse clássico da tosquice que é impossível de se achar na Internet pra baixar, infelizmente:

* Cosmo: "Esse é o avião de Norman Decker, o cara que construiu seu império do nada!"

* James: "O cara é tão maluco que mantem Óxido Nitroso no avião... gás do riso!"

* Cosmo, ao ver o casal de sequestradores se beijando na cabine: "Oh Deus, não permita que eles se reproduzam a se multipliquem em outras formas iguais dentro da cabine!"

* Dabney, entrelaçando os braços atrás da cabeça: "Oh Jurgen, Jurgen, como você é violento Jurgen, oh"

* Jenny: "Como eu iria saber, 'não use o microondas meninos, pode afetar a bomba!'"

* Cosmo: "Hey, é melhor vocês serem mais claros nas instruções do manual, eu não quero estar pousando um avião de 15 toneladas e descobrir que vocês estavam me ensinando a fazer café"

* Jurgen: "Essas crrrianças são malvadas Katyana, estou dizendo, elas me drrrrogarrram"

* Angela: "-"

Assim que minha busca de quase dois anos do filme para baixar for concluída, posterei aqui o link para quem quiser relembrar esse clássico da tosquice!!!

sexta-feira, 7 de novembro de 2008

The Shining (1980)

O filme é bem ruim, praticamente uma licença poética sobre a obra a qual foi baseada. A mídia e a crítica acabou "abraçando" essa pequena aberração por ser obra de Stanley Kubrick. Se fosse exatamente o mesmo filme, dirigido pelo João da padaria, as críticas seriam pesadíssimas. Críticos de cinema (os que ganham dinheiro com isso) são totalmente presos a esteriótipos e costumam enxergar "grandes obras" em versões desastrosas como essa. Kubrick é um ótimo diretor, realizou trabalhos fantásticos, mas isso não é motivo para tratá-lo como "deus" (em minúsculo mesmo).

Se fosse uma obra teatral, onde existem severas limitações, essa versão do clássico de King seria até aceitável. O problema é que estamos falando de um filme, onde o universo de recursos é quase infinito e, como o filme se propõe a ser um filme de suspense (mais que terror), definitivamente não consegue. É fraco, o suspense chega a ser monótono e previsível (talvez, em parte por já ter conhecido o livro antes de ver o filme). Não é porque foi feito pelo, muitas vezes caricato, Kubrick que mereça ser chamado de grande filme. Ou mesmo pelas manias incontroláveis do diretor de repetição a exaustão das cenas ou o uso de tecnologia de ponta na época. Isso foi um dos principais fatores que fizeram com que o filme ganhasse o ar de "clássico" que ganhou, mesmo sem merecer.

As atuações são boas, especial de Jack Nicholson, mas estão muito longe de serem as maravilhosas como pintam ou (tentam) nos fazer acreditar. Já Danny Lloyd, pobre coitado, fez o que pode para segurar as cenas patéticas dele conversando com o próprio dedo, criação bastante bizarra de Kubrick. Tem muita coisa a ser dado mais valor e que, por cretinice, não se reconhece. Esse é o trabalho dos críticos de cinema.

Para não dizer que é só crítica, a cena do sangue todo vazando o elevador e chegando ao corredor é sensacional, mesmo que quase sem propósito. E o cenário nas montanhas é magnífico, sem contar pelo fato de terem citado a incrível história conhecida como "The Donner Party".

Esse filme é uma obra non-sense, quase metafórica (me recuso a acreditar que alguém consiga ficar tenso com esse filme). Uma mera exposição da arte (completamente abstrata) de Kubrick sem uma clara definição do que realmente é - talvez daí venha tantas opiniões contraditórias. Só que nem tudo que tem uma "qualidade abstrata" necessariamente é bom - como eu disse o nome "Kubrick" impõe uma responsabilidade que o filme não tem.

A crítica americana caiu pesado em cima do filme antes do "endeusamento" que é feito a Kubrick, simplesmente porque não se prenderam a um (ótimo) diretor para tecer a crítica a um filme por si só.

"Com tudo na mão, o diretor Stanley Kubrick se aliou a um irriquieto Jack Nicholson para destruir tudo o que havia de aterrorizante no best-seller de Stephen King...... quanto mais maluco fica Nicholson, mais idiota parece. Shelley Duvall transforma a acolhedora e compreensiva esposa do livro em uma histérica caricatural e semi-retardada."
Revista Variety, na época do lançamento.

"Só porque você é perfeccionista, não quer dizer que seja perfeito"
Jack Nicholson, durante as filmagens.

"Há dois problemas básicos [quanto a adaptação de sua obra]: primeiro, Kubrick é um homem muito frio, pragmático e racional, um cético visceral. Além disso, tem grande dificuldade em conceber, mesmo que academicamente, um mundo sobrenatural. Ele não acreditava."
Stephen King, o tal que escreveu "The Shining", desaprovando a adaptação.

Ou seja, se o próprio autor desgostou do resultado é, no mínimo, de se pensar se há tanta qualidade quanto se vê (ou que querem que veja). Repito novamente, para não parecer perseguição: Kubrick, um dos maiores diretores da história, de filmes fantásticos. Só que, nem tudo o que ele faz, há que se reverenciar. E definitivamente, esse filme não merece. É ruim, muito ruim.

Melhor ficar com a série lançada em 1997, que depois virou filme de 5 horas. Mais aterrorizante (não era essa a proposta inicial?), mais verdadeira e menos "artística". Curioso é que essa recebe críticas pesadas, apesar de estar bem mais próxima do livro em que foi baseada. Será que as opiniões (dos tais) seriam as mesmas se no lugar do nome "Mick Garris" estivesse "Stanley Kubrick"??? Eu não tenho a menor dúvida.

segunda-feira, 28 de abril de 2008

Curiosidades Apenas... Novamente! (Santos FC)

Apenas mais uma foto que prova a popularidade da marca 'Santos Futebol Clube' pelo mundo. Clube algum brasileiro tem isso. Em sentido horário das fotos, na primeira a Ministra da Família Alemã, Ursula von der Leyen, fazendo seu 'cooper' em um dos vários parques de Berlim. Na segunda e quarta foto (que belo sentido horário, hein?) são de um pivete japonês no famoso tokusastu Jiban, o Policial do Futuro (aquele seriado "irmão" de Japion, Jiraya, Changeman, etc); Voltando a terceira foto, Janick Gers e Dave Murray do Iron Maiden uma das várias passagens da banda pelo Brasil. Eu já havia postado uma outra foto do seriado Melrose Place, em que um americano parece com a camisa do Santos pronto para jogar 'soccer' (nome feio!), além de correr pela net uma do Bob Marley com a camisa alvinegra, da qual muitos dizem ser fake, por isso nem fui atrás. Mas Pelé manteve contato com Marley sim, então as chances são grandes. Realmente uma pena que a diretoria, quase sempre amadora do Santos Futebol Clube, não saiba tirar proveito disso. É simplesmente uma das maiores marcas do mundo, graças ao Rei Pelé, que não são aproveitadas. Uma lástima.

sexta-feira, 18 de abril de 2008

Maior Nevasca do Brasil

Texto interessantíssimos encontrado nesse blog sobre os 50 anos da maior queda de neve do Brasil. Segue o texto na íntegra:
O amanhecer gelado e escuro do dia 20 de julho de 1957 anunciava a maior neve da história do Brasil. Eram 11 horas quando caíram os primeiros flocos em São Joaquim - em segundos - a neve era intensa. O espetáculo se estendeu sem parar até às 17:30 horas. Em alguns lugares, no interior do município, o acumulado chegou a um metro e trinta. Levou quatro dias para a neve derreter completamente.

O que era belo no início logo se tornou preocupação. A cidade ficou isolada por dias. O alimento se esgotou e aviões da Força Aérea Brasileira (FAB) lançavam fardos com alimentos em um campo de futebol próximo da cidade. A água para o consumo e a preparação de alimentos era da própria neve coletada e derretida. Casas frágeis não agüentaram o peso da neve no telhado e desabaram. Foram dezenas de desabrigados.

Vidal Cândido da Silva Neto, 78 anos, então com 27 anos de idade, morava em sua fazenda no interior de São Joaquim. Conta com espanto da intensidade da neve. Isolados, por volta das 16 horas os campos em volta da fazenda foram cortados por barulhos ininterruptos de grandes galhos de araucárias partindo e caindo ao chão devido ao peso da neve. O estrondo assustador partia de todas as partes da mata.

Acreditavam terem perdido todos os 100 porcos que estavam soltos no campo. Para o espanto da família, quando a neve começou a derreter dias depois os animais se movimentaram lentamente até chegar ao abrigo. Pássaros mortos eram encontrados aos milhares pelo chão. Até mesmo as galinhas eram retiradas uma a uma de dentro da neve.

Ficou a lembrança e o susto. Durante todo aquele inverno, a semana da neve foi a única em que a temperatura estava baixa para o normal da época. O restante da estação foi quente, conta Vidal. Nenhuma outra neve voltou a tomar tanto corpo como aquela. Ele acredita que devido a quase extinção dos pinheiros na serra, a região não atrai mais tanta umidade, o que não dá condições de nevascas maiores. Aliado ao aquecimento global, acha cada vez mais difícil ver algo semelhante.
Hoje, Vidal Cândido mora em sua fazenda pousada, onde recebe hóspedes o ano inteiro.
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terça-feira, 1 de abril de 2008

São Paulo de séculos atrás



Achei um texto interessante que retrata uma São Paulo pouco conhecida dos paulistas, de alguns séculos atrás (mais especificamente dos séculos XVI, XVII e XVIII), publicada na revista "Superinteressante" do mês de abril, baseada principalmente nos relatos do livro da historiadora Maria Luiza Marcílio, chamado "A Cidade de São Paulo: Povoamento e População".

Algumas curiosidades são interessantes, não só sobre a cidade, mas o estado como um todo. Por exemplo, sabe-se através dela que a vestimenta que hoje é tida como característica gaúcha, era primordialmente usada em São Paulo (não necessariamente por paulistas, apesar de não deixar isso explícito). A cidade já vivia uma grande miscigenação anterior a grande imigração européia e asiática do início do último século, principalmente com índios e portugueses. Fala sobre o primeiro governador do estado, na época ainda província sem demarcação exata de fronteiras como as que temos hoje (sabe-se que os, hoje, estados do Paraná e São Paulo, eram um só). Que o famoso colégio fundador da cidade foi demolido e reconstruído séculos depois e que a comida típica eram baseados em farinha, feijão e carne seca.

Fica aí pra registro:

"A maior metrópole brasileira da atualidade tinha, em 1808, pouco mais de 20 mil habitantes, incluindo escravos. Não passava de uma vila pobre cercada por roças de mandioca, milho e frutas como mamão e banana que garantiam a subsistência.

A penúria lançou os paulistas ao papel que coube a eles na colônia: o de viajantes. Sem recursos para comprar escravos africanos, a partir do fim do século 16 eles se embrenharam nos sertões para caçar índios. Nas terras de Minas Gerais, Mato Grosso e Goiás, descobriram ouro e diamantes – mas Portugal manteve essa riqueza longe de São Paulo. Na virada do século 18, os paulistas continuavam na estrada, agora abastecendo de carne do sul as regiões mineradoras e o Rio de Janeiro, sede do vice-reinado desde 1763.

Os tropeiros paulistas usavam chapéus de feltro, de cor cinza e abas largas, presas à copa por cordéis. O casaco e as calças eram de algodão escuro. Botas folgadas de couro cru, tingidas de preto, ficavam seguras abaixo do joelho por correia e fivela. Os homens traziam na cintura ou no cano da bota uma faca comprida, de cabo prateado, que servia de arma de defesa ou de talher nas refeições. Nas viagens pelo interior, a cavalo ou em comboios de mulas, protegiam-se do frio e da chuva usando poncho azul, comprido e amplo, com abertura por onde enfiavam a cabeça. A peça era tão comum em São Paulo que durante muito tempo foi chamada de “paulista”, até cair em desuso pelo desaparecimento das tropas, passando então a ser considerada como típica do gaúcho no Rio Grande do Sul.

Quem ficava na cidade enquanto os homens iam buscar regiões mais atraentes? “A população feminina sempre foi majoritária”, diz a historiadora Maria Luzia Marcílio, autora de A Cidade de São Paulo: Povoamento e População, trabalho que trouxe à luz o cotidiano da cidade com a análise de registros de cartórios e paróquias entre os anos de 1750 e 1850. Graças a esse levantamento, sabe-se, por exemplo, que 25% dos filhos de mulheres livres eram ilegítimos. Ou que os nomes mais populares na cidade eram as múltiplas variações de Maria e José, o que denota a forte religiosidade de um povo que não seguia à risca os mandamentos da Igreja.
Maria Luzia revelou que uma São Paulo mestiça, iletrada e fortemente rural. A maior parte da população ainda era fruto da miscigenação de índias com os primeiros portugueses que lá chegaram, sem família, ainda no século 16. São Paulo era subordinada ao Rio de Janeiro até 1765 – ano e que a coroa decidiu que a capitania era estratégica demais para ficar abandonada e lhe designou um governador.

A cidade está na junção de vários terrenos de relevo suave, irradiando caminhos naturais para o sul, para a região das minas, para Goiás e para o litoral fluminense, de onde se prossegue rumo ao nordeste – esses caminhos já estavam suficientemente pisados pelos índios quando o primeiro europeu chegou. Correndo para o noroeste, o rio Tietê deságua no rio Paraná – que se abre em um mar de água doce no rio da Prata, o epicentro das disputas territoriais entre Portugal e Espanha na época.

O nobilíssimo dom Luís de Souza Botelho Mourão, primeiro governador de São Paulo, chegou a nova morada pelo mais difícil de todos os caminhos: a serra do Mar, elevação abrupta e obrigatória para quem se aproximava da cidade via Santos. Nas palavras de José de Anchieta, co-fundador do colégio jesuíta em 1554, “o pior [caminho] que há no mundo”. Mourão subiu a mesma trilha de Anchieta, mas certamente não de andar “de gatinhas” como o beato. Qualquer pessoa de posses dispunha de índios ou negros para carrega-la.

No alto da serra, Mourão prosseguiu de barco por córregos e rios até atracar em São Paulo. (Sim, havia portos em São Paulo. O principal ficava no curso do rio Tamanduateí, na região onde atualmente está o cruzamento da rua 25 de Março com a ladeira que até hoje guarda o nome de Porto Geral). Morro acima, não havia mais o colégio que deu origem à cidade: com os jesuítas expulsos por ordem do marquês de Pombal, no lugar foi erguido um palácio para acolher o governador (em 1954, esse palácio seria demolido para a construção de uma réplica do prédio dos padres).

O palácio dos governadores, assim como quase tudo que existia em São Paulo naqueles tempos, se encarapitava em um morro cercado de várzeas e brejos. As ruas não tinham calçamento até fins do século 18 e as construções, por falta de pedras e de dinheiro para traze-las de longe, eram de pau-a-pique. O primeiro chafariz foi inaugurado em 1791. e dos dejetos cada um se livrava como podia – não à toa, uma placa numa viela ao lado do atual Pátio do Colégio indica que ali era o beco da Merda. O comércio de itens como farinha, feijão, carne de porco, galinhas vivas e fumo se dava nas rua das Casinhas, atual rua do Tesouro, em meio a mulas, cavalos e muito lixo. E, quando o sol se punha, a cidade era tomada por prostitutas. Segundo o relato, do início do século 19, do botânico francês Auguste de Saint-Hilaire, havia opção de mulheres “de todas as raça”."

fonte: Revista Superinteressante, edição 251 - Abril / 2008
Texto Laurentino Gomes e Marcos Nogueira